Referências da Música Tradicional Portuguesa

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A GENTE NÃO LÊ Isabel Silvestre

A Gente Não Lê

Letra Carlos Tê / Música 

Rui Veloso

Aí senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
Rezar o terço ao fim da tarde
Só para espantar a solidão
Rogar a deus que nos guarde
Confiar-lhe o destino na mão
Que adianta saber as marés
Os frutos e as sementeiras
Tratar por tu os ofícios
Entender o suão e os animais
Falar o dialecto da terra
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais
E do resto entender mal
Soletrar assinar em cruz
Não ver os vultos furtivos
Que nos tramam por trás da luz
Aí senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
A gente morre logo ao nascer
Com olhos rasos de lezíria
De boca em boca passar o saber
Com os provérbios que ficam na gíria
De que nos vale esta pureza
Sem ler fica-se pederneira
Agita-se a solidão cá no fundo
Fica-se sentado à soleiro
A ouvir os ruídos do mundo
E a entendê-los à nossa maneira
Carregar a superstição
De ser pequeno ser ninguém
E nã quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Instrumento Tradicional RONCA, SARRONCA OU ZAMBURRA

Sarronca, Ronca ou Zamburra
ZamburraSarronca ou Ronca são os nomes mais conhecidos deste instrumento musical que pode ser integrado na categoria dos membranofones, pois é feito a partir da pele de animais.
É composto, na maioria das vezes, por uma vasilha, geralmente de barro, com cerca de 30 cm de altura e medianamente bojuda (a caixa de ressonância), com a boca revestida de pele, de onde parte uma haste fina de pau ou cana e que ao friccionar-se entre o indicador e o polegar produz um som grave e fundo, quase um ronco, tenebroso ou divertido.
O executante, com a mão molhada, fricciona a cana ou pau, fazendo vibrar a pele e produzir o som característico. É especialmente usado na altura do Natal e do Carnaval, e o Alentejo e aBeira Baixa são as regiões de maior uso tradicional.
Este membranofone de fricção ou friccionado, é um instrumento primitivo, sendo mais conhecido em Trás-os-Montes e Alto Douro e na Beira Baixa como “zamburra”. No fundo, é um tambor feito de uma base de barro ou madeira, que écoberta por uma pele que tem ao centro um elemento fixo, que é esfregado e do qual sai a vibração. Era utilizada em toda a faixa ocidental do norte e também nas regiões pastoris do interior.
Em Trás-os-Montes, por exemplo, ela era utilizada como acompanhamento do violão, da rabeca e da guitarra nos encontros de taberna. Na Beira Baixa, a ‘zamburra’ já deixou de ser tocada, mas antigamente era utilizada num cerimonial muito peculiar: durante a Quaresma, as gentes da aldeia iam com ela a casa das pessoas idosas, cantar e tocar numa cerimónia a que se dava o nome de 'serração da velha’.
Este instrumento era ainda utilizado noutras circunstâncias como nas batidas aos lobos feitas pelos caçadores e pastores.
Fonte: imagens e compilação de textos recolhidos e adaptados da internet

sábado, 3 de janeiro de 2015

Janeiras UMA ESTRELA SE FOI PÔR Alentejo Ronda dos Quatro Caminhos/Coros Alentejanos/ Orquestra Sinfónica de Córdoba



Uma estrela se foi pôr
Em cima duma cabana;
A cabana era pequena,
Não cabiam todos três;
Adoravam o Menino
Cada um da sua vez.

E abram-se lá essas portas,
Inda não estão bem abertas!
Que nasceu o Deus Menino,
Vou-lhes dar as Boas-Festas!

Boas-Festas, meus senhores,
Boas-Festas lhes vou dar!
Que nasceu o Deus Menino
Alta noite de Natal!

Alta noite de Natal,
Noite de santa alegria,
Que nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria!

[instrumental]

Senhora, dona de casa,
Deixe-se estar que está bem!
Mande-nos dar a esmola
Por essa rosa que aí tem!

E abram-se lá essas portas,
Inda não estão bem abertas!
Que nasceu o Deus Menino,
Vou-lhes dar as Boas-Festas!

Boas-Festas, meus senhores,
Boas-Festas lhes vou dar!
Que nasceu o Deus Menino
Alta noite de Natal!

Alta noite de Natal,
Noite de santa alegria,
Que nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Janeiras CANÇÃO DE JANEIRO Beira Baixa - Ronda dos Quatro Caminhos


O ciclo das festividades natalícias depois da Oitava do Natal entra agora numa outra fase, a celebração da epifania, assim chamada no contexto litúrgico, mais conhecida por Dia de Reis e no âmbito das tradições populares, é o tempo de cantar as Janeiras.
O cristianismo associou-se às grandes festas romanas com a intenção de as evangelizar. Assim a celebrações do solstício de inverno a 21 de dezembro pareceram aos cristãos o tempo ideal para assinalar o Nascimento de Jesus, o Sol da Justiça, segunda a imagem que vinha do antigo testamento. Por outro lado é a partir desta altura que os dias voltam a crescer, tempo simbolicamente ideal para olhar o Menino que nasce e começa a crescer. Na continuidade das festas do solstício tinham lugar as saturnais, em honra de saturno ocasião em que se desvaneciam as diferenças sociais e a elite romana misturava-se com o povo e e os escravos em confraternização onde por exemplo à mesa os senhores serviam  e o povo era servido.Ora ao espírito de solidariedade tão característico da quadra natalícia não será estranho estas tradições romanas das saturnais. E porquê saturno? Era o deus das coisas velhas e ainda hoje o planeta com o mesmo nome rege a velhice e tudo o que lhe está ligado na astrologia. tratava-se pois de dar as despedidas do ano velho.
De seguida novas festas tinham lugar dedicadas ao deus Jano, o deus representado com duas caras uma volta para trás representando o passado e outra virada para frente representando o futuro. Jano é o deus das mudanças e o seu nome deu origem ao nome do primeiro mês do calendário, janeiro, mês que lhe era dedicado.
No processo de cristianização das tradições e costumes romanos, a Igreja substítuiu o culto ao sol pelo culto ao Deus Menino, as saturnais pela oitava do Natal e as festas em honra de Jano pela festa dos reis que de resto encaixa perfeitamente na continuidade do espírito solidário das saturnais: reis que adoram um menino pobre e lhe oferecem presentes.

Embora haja interpretações um pouco diferentes tudo aponta para que as janeiras sejam os restícios das festas romanas em honra de Jano, cristianizadas pela Igreja, através da introdução do episódio biblico da visita dos magos ao Menino Jesus. Tudo isto deu origem a uma expressão religiosa e cultural muito forte que ainda hoje acontece um pouco por todo o mundo e que em Portugal tem lugar de norte a sul do país e nas ilhas atlânticas. O cancioneiro popular das Janeiras ou do Cantar dos Reis é extraordinariamente rico e diversificado. Por isso até ao dia 6 de Janeiro convido-vos a ouvir canções próprias deste tempo. Como diz a canção "Ora bem sabíeis, ora bem sabeis/
                do dia 5 para o dia 6/
                ora bem sabíeis ora bem sabeis/
                que é nesta noite que se canta os reis"

Paulo Santos

CANÇÃO DE JANEIRO

Esta noite não se dorme,
Vamos cantar as janeiras!
Cheira a cravo, cheira a rosas,
Cheira à flor das laranjeiras.

Aqui mora gente honrada:
É casa dum lavrador
Que tem a mulher bonita
E a filha como uma flor.


Ó que linda estrela brilha
Além dos lados do Norte!
A esta mui nobre casa
Deus lhe dê uma boa sorte!

Alegrai-vos, companheiros,
Já vejo a luz da candeia!
A filha do lavrador
Vem-nos convidar p'rá ceia!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Feliz Natal OH MEU MENINO JESUS Campo Maior




Oh meu Menino Jesus
Oh meu Menino tão belo
Logo havias de nascer
Ao rigor do caramelo

Oh meu Menino Jesus
Não queiras menino ser
Ao rigor do caramelo
A neve vos faz tremer

Dá-me o meu Menino
Não dou não dou não dou
Dá-me o meu Menino
Vai à missa que eu lá vou (bis)
Dá-me o me Menino
Ai não dou não dou não dou (bis)

O Menino da Senhora
Chama pai a S. José
Que lhe trouxe uns sapatinhos
Da feira de Santo André

O Menino chora chora
Chora pelos sapatinhos
Haja quem lhe dê as solas
Eu lhe darei os saltinhos 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Novena do Natal -NATAL DOS SIMPLES- José Afonso



Natal Dos Simples

Zeca Afonso

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
As raparigas solteiras
Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
As raparigas casadas
Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte
Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra
Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pao e vinho novo
Matava a fome à pobreza
Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

sábado, 20 de dezembro de 2014

Novena do Natal BEIJAI O MENINO Trás-os Montes - Né Ladeiras


Beijai o menino, beijai-o agora,
Beijai o menino de Nossa Senhora

Beijai o menino, beijai-o no pé
Beijai o menino que é de Dão José

Os filhos dos homens
Em berços dourados
E vós, meu menino
Em palhas deitado

Em palhas deitado
Em palhas esquecido
Filho de uma rosa
E de um cravo esquecido

Os filhos dos homens
Em paus travesseiros
E vós, meu menino
Preso ao madeiro

Sois um manso cordeiro
Que estais nessa cruz
Com os braços abertos
Perdoai-nos, Jesus

Sois o salvador do Mundo
Que tudo salvais
Salvai nossas almas
Bendito sejais!


Beijai o menino, beijai-o no pé
Beijai o menino que é de Dão José

Beijai o menino, beijai-o agora, 
Beijai o menino de Nossa Senhora